Iniciação & Formação. Problemas e Soluções
1. Passes e Toques. Na mais tenra formação entre crianças que se iniciam em qualquer desporto, é mister que se lhes assegure o maior número possível de contatos com a bola, permitindo-lhes vivenciar todas as experiências intrínsecas. Através do tatear experimental ela buscará soluções para o seu desenvolvimento técnico e tático. No jargão esportivo, denominamos ter intimidade com a bola. Compete à professora aquilatar quando e quanto de ajuda a aluna necessita a cada sessão. Lembrando que uma colega mais adiantada poderá também cumprir essa tarefa com perfeição.
Trajetórias aferente e eferente. Permitir jogar segurando a 1ª bola que vem do campo contrário. Dilema da recepcionista: o que fazer com a bola? Para quem passar? Como?
A sensação inicial é apavorante e estressante, pois todas as colegas gritam como se pedissem que lhes passasse a bola. Imagine-se num programa de auditório, com todos gritando e induzindo-a a uma decisão. Com certeza e após algumas experiências, a criança elege uma solução que lhe parece a mais simples para se livrar do problema (a bola): lança-a para quem está mais perto dela ou da rede. E este gesto é então imitado pela grande maioria. Ressalte-se que este lançamento, inicialmente, é um arremesso direto contra a companheira que, concomitantemente, deverá também ela se livrar da bola – agora sem segurar – lançando-a, ou para uma colega (poderia ser a mesma) ou para o outro campo, o que ocorre no mais das vezes. E, do outro lado, caso interceptem a bola, a história se repete.
Solução. Normalmente, uma das alunas se coloca junto à rede, quer na situação de mini vôlei (3×3), quer na quadra oficial (6 x 6). Seria a posição estática da LEVANTADORA, a que está momentaneamente no meio da rede. Ora, se o toque frontal já é difícil para elas, o que não dizer do toque angular. Desta forma, a professora deverá levá-las a descobrir formas de sanar esta dificuldade (Zonas de Desenvolvimento Proximal). As soluções poderiam ser: a) no jogo 3×3 – mesmo com a levantadora na posição junto à rede, devolver a bola diretamente para quem lhe passou a bola, evitando lançá-la para o outro campo (suprime o toque angular). Vantagem: teriam os três toques e, todos, basicamente frontais.; b) no jogo 6×6 – afastar a levantadora da rede (as 3 atacantes poderão estar em linha) e sugerir-lhes os três toques como no exemplo anterior. A maior dificuldade que deverão sentir refere-se ao toque alto e ao seu direcionamento longitudinal (a bola pode ficar aquém ou ultrapassar a companheira).; c) essas dificuldades serão sanadas nos momentos dos exercícios técnicos (lúdicos) e, atenuadas ou facilitadas nos jogos 1×1 e 2×2. A professora deverá observar quando deve fazer uso de diferentes dimensões da quadra de jogo (mais largas ou profundas) de acordo com o objetivo traçado.
2. O saque “por baixo” (Ver “Voleibol na Escola”, II; 26.2.2010)
3. As posições na quadra. “Onde estou? Para onde vou?”
Para a iniciante de um desporto, especialmente àquela que nunca praticou qualquer atividade física regularmente, torna-se tarefa quase impossível relacionar-se com 5 outras colegas, mesmo numa área diminuta, especialmente com recomendações expressas para que não deixe cair a bola no chão. E mais: deve passá-la imediata e incontinente a uma outra sem poder retê-la ou conduzi-la ainda que por alguns instantes. É bem possível que, numa quadra oficial a criança fique aturdida, pois ainda não compreende suas tarefas. A redução do campo de jogo e do no de parceiras facilita neste mister, inclusive no sistema de rodízio. Outro recurso é a execução de trabalhos com desenhos ou fotos que estimulem esta compreensão. Só após este entendimento, a criança poderá perceber por que está ali e qual a sua função em determinado instante. É bem provável que as iniciantes se coloquem próximo às linhas da quadra. Especialmente as mais tímidas. Para desenvolvê-las, o primeiro passo é torná-las mais participantes, mais ativas e, por isso, mais confiantes. Todo processo de envolvimento psicológico é imprescindível, haja vista que é importante para o “despertar” técnico das alunas. O desenvolvimento da auto-estima e do espírito participativo se faz através dos jogos e das brincadeiras, que antecedem a aula propriamente dita. Ali as crianças tímidas têm a oportunidade de extravasar suas ansiedades e dar-se a conhecer mais facilmente à professora e suas colegas. Nesta área, torna-se fácil qualquer tipo de ajuda. A partir daí criam mais desenvoltura e descortinam soluções exitosas para seus problemas e passam a encontrar mais estímulos das colegas na execução das tarefas. Ao passar aos exercícios propriamente ditos de voleibol, a professora poderá se valer de alguns expedientes: a) a posição inicial deve ser àquela em que as jogadoras, abrindo os braços, estejam “quase se tocando” (a partir do meio da sua quadra); b) as distâncias para a rede devem ser igualmente consideradas; c) perceberão, fisicamente, que com 1 ou 2 pequenos passos, poderão alcançar ou interceptar a bola; d) NÃO devem se colocar umas atrás das outras. As jogadoras de defesa deverão assumir esta responsabilidade; e) ao tocarem qualquer bola, a preocupação primeira deve ser a de lançá-la para o alto, se possível para a colega mais próxima. Esta, em seguida, decide se retorna à quem lhe passou ou à outra. É importante que uma apoie a outra; f) fazê-las movimentar-se com desenvoltura na quadra pressupõe jogar com alegria, sem medo de errar. Significa também estarem libertas, descontraídas. A perfeição do gesto técnico vem bem mais tarde.
4. A concentração e movimentação. Sei onde estou? Que devo fazer?”
Fica evidenciado que, entendendo o que se passa ao seu redor, a aluna possa distinguir suas funções dentro do grupo e, assim, criar ou despertar formas para seu sucesso em qualquer participação. Pouco antes do saque contrário ou de ações corriqueiras de jogo terá momentos de concentração mental que lhe permitirão proceder a um breve e imediato juízo da situação e decidir sobre sua conduta. A movimentação correspondente virá a posteriori, graças também à qualidade e quantidade das experiências vivenciadas. Estímulos adequadamente aplicados são mais valiosos do que os gritos das colegas ou da professora. Esta deve atentar para o fato de não ser repetitiva em suas observações o que denota erro na colocação dos estímulos ou exercícios. Uma auto-avaliação é sempre benéfica para todos. O assunto será tratado futuramente quando abordarmos a “Posição de Expectativa”.
5. O despertar tático. Dependo da minha companheira?
A percepção do que ocorre à sua volta é um indício de um despertar tático para o jogo. A aluna percebe o seu envolvimento em relação às demais componentes da equipe e em relação à equipe contrária. Este despertar deve ser fruto de um trabalho constante de esclarecimento da dependência que têm umas das outras. E se inicia a partir da construção dos exercícios e de alguns princípios metodológicos: a bola vem em minha direção; não posso retê-la ou conduzi-la, que faço? Ou então, minha colega recebe a bola, devo apoiá-la? A partir daí surgem os primeiros movimentos de antecipação na defesa e de aproveitamento de espaços vazios quando ataco. Aonde devo lançar a bola para o campo contrário? Como ver os espaços vazios?
Nas próximas postagens estarei comentando sobre o velho embate do jogo, ataque x defesa. Aguardem.



2 Comments on "Voleibol na Escola (III)"
Roberto, tens um rico material e é realmente grande conhecedor do que escreve, porém tenho uma crítica a fazer que poder lhe ser de grande valia.
Muitas vezes ao escrever um texto nos preocupamos em escreve-los da maneira que mais nos agrade, esquecendo que temos que agradar nossos principais clientes no seu caso estudantes de universidade e ou professores deste mesmo âmbito institucional, por isso vale uma dica, para deixar seu blog mais atrativo troque palavras que não são usadas no coloquial por palavras de fácil entendimento. Traga os jovens para perto do seu blog com textos simples e de fácil compreensão, pois através de tudo que eu li em seu material vi que o “Sr” tem o perfil de uma pessoa extremamente altruísta e por isso vale a dica para maior compartilhamento de seu conhecimento.
Raphael, agradeço por expressar o “conselho” que tanto esperava. Percebo que há dificuldades no nível universitário em relação à leitura de textos pedagógicos. Minha estratégia calcou-se então em “aprender a dosar” os dois principais fatores que interagem nessa comunicação: a própria teoria e a prática, traduzida em minhas vivências ou de outrém. Estarei mais atento ao fato, pois preciso chegar-me à clientela. Espero continuar a merecer sua simpática e generosa contribuição.