As Redes (ou campo de jogo)
Década de 60
O início da década teve intenso incremento na atividade na praia de Icaraí, em Niterói, graças à realização dos Campeonatos Mundiais masculino e feminino, Jogos Universitários Brasileiros, Campeonatos Brasileiros (Rio), Jogos Luso-Brasileiros e inúmeros torneios de quadra e praia. Em 1966, recomeçam os campeonatos entre clubes de Niterói, o que despertou ainda mais o vôlei de praia. Surgem vários torneios, todos de jogos 6 x 6, e a Rede Braga passa a ser referência para o vôlei na praia. Isto se estendeu até o início do novo século, mesmo com o advento da nova modalidade – o jogo de duplas.
Rede Braga
Passado algum tempo, com o despertar de alguns torneios avulsos na cidade – Jogos de Verão, de Inverno, aniversários da cidade, amistosos com equipes do Rio e de São Paulo – e mesmo sem haver um campeonato, a Rede começou a atrair os melhores atletas. Era o despertar da Rede Braga, constituída por Ronaldo Braga e seu irmão, Roberto, composta de jovens que disputavam aqueles torneios e campeonatos, inclusive no Rio de Janeiro. A competição sadia despertava os novos valores que se iniciavam no esporte. Muitos deles, ainda juvenis, foram atuar em clubes do Rio, principalmente no Botafogo, tornaram-se campeões e até atuaram na seleção brasileira – Almir, Waldomiro, Sílvio. Todos, oriundos das peladas de praia. Ronaldo de Paula Braga (1935-1999) foi vítima de um câncer ósseo. Entretanto, sua Rede permanece próxima à Rua Presidente Backer, no meio da praia, já não mais frequentada pelos remanescentes. Inclusive, contribuiu para isso o falecimento de um dos seus integrantes – Paulo Roberto – em morte trágica.
Rede dos Cobras (gíria da época, significando a excelência na atividade)
A Rede foi fundada por um senhor baixinho – Ernani Van Erven – um torcedor apaixonado pelo Clube Gragoatá. Ele dava nome ao espaço, isto é, a Rede foi batizada inicialmente como “Rede do Seu Hernani”. Sua localização estava bem próxima à calçada e em frente ao Icaraí Praia Clube (IPC), onde era guardadas a rede, bolas e marcações do campo. No vaivém das desavenças entre dirigentes do esporte em Niterói e o consequente êxodo dos bons atletas para clubes cariocas, a praia passou a ser o verdadeiro palco e atração incontestável de sua técnica refinada. Assim, víamos e participávamos de memoráveis contendas nessa Rede a partir de 1959-60, onde atuavam vários jogadores da seleção brasileira – Quaresma, Borboleta, Murilo, Afonsinho, Maurício – inclusive Álvaro Cayra (paulista), quando dos treinamentos visando ao Campeonato Mundial de 60 – era o capitão da equipe. Aliás, não acostumado à areia fofa, tropeçava e constantemente perdia o “tempo de bola” para as cortadas. A calçada ficava repleta de curiosos e adeptos do vôlei, pois as partidas atraíam pela sua plasticidade e exuberância dos lances. Gostoso também era a cervejinha após as partidas no Bar São Luís, ou “Bar do Mercadinho” como o chamávamos, ao lado do IPC, debaixo de frondosas amendoeiras. Por estas e outras, foi apelidada pelos passantes como a Rede dos Cobras, isto é, dos “melhores” jogadores de voleibol.



4 Comments on "Voleibol de Praia em Niterói (II)"
Oi Pimentel, tudo bem?
Seria interessante que fosse feito um registro das redes atuais de Niterói, para que sejam lembrados os novos talentos.
Cadê a rede do Braga, Rubens e outros de 80 e 90.
Parabéns pelo trabalho.
att.,
Jorge Luiz
Jorge Luiz,
A proposta dessas histórias está focada primacialmente nas suas origens com o resgate de nomes e fatos nunca divulgados, inclusive o acervo fotográfico. O trabalho gerou 1.200 páginas e centenas de fotos, não incluídas as 150 páginas sobre Nictheroy. Foram anos de trabalho permanente, entrevistando pessoas, recolhendo dados em bibliotecas, jornais, periódicos. Finalmente, a História é dinâmica e cheguei até onde poderia chegar. Na apresentação que fez Arlindo Lopes Corrêa, a obra está adjetivada como “enciclopédica e memorialista”, o que muito me honra. Creio que outros farão melhor, até porque passaram a ter conhecimento dos que os precederam. Deixamos de ser um “país sem memória”, pelo menos no voleibol. Repare que até então as lembranças somente retroagiam a 1984. Quanto à Visão do trabalho, é maior do que a simples rememoração dos fatos. Vai muito além! Este o valor da História, que nos ensina e indica caminhos para evoluir como gente e não a cultuar “heróis de barro”. Que as novas gerações tirem proveito. Obrigado pela “força”.
Roberto
Gostaria de saber noticias de Borboleta uma das maiores estrelas do volei brasileiro (um show em quadra)
Acrescento: um show também fora da quadra. Waldenir da Silva faleceu faz bastante tempo, possivelmente por complicações devidas ao excesso de bebida. Era um excelente companheiro de todos quanto jogavam com ele, inclusive elogiadíssimo pelos adversários. Em quadra, realizava verdadeiras diabrices nunca imagináveis por qualquer outro jogador. Era lépido e faceiro como ninguém.