Voleibol na Escola

Desporto Escolar

Desenvolver o voleibol nas escolas pode ser bom para a Fivb, mas como será para o principal interessado, a criança? Números estatísticos elevados não asseguram excelência no ensino, muito pelo contrário, a quantidade não se traduz em qualidade. Os instrumentos necessários para a criança se desenvolver em qualquer desporto estão historica e implicitamente ligados ao principal agente: o Professor.

Realizar programas massificados em escolas , as famosas receitas de bolo, não são adequados para a criança e, numa escola séria, inviáveis pedagogicamente. A escola não deve ser celeiro de qualquer desporto, mas a formadora de pessoas na sua totalidade. Cumpre que se disponibilize ao universo dos alunos toda sorte possível de experiências com os desportos na sua forma mais simples e natural, não se importando com a excelência dos gestos e cobranças técnicas. Futuramente, o rapaz e a moça estarão aptos a realizar suas escolhas e caminhos. Contribuir neste sentido é Educar, pois outras escolhas e decisões certamente surgirão ao longo de suas vidas.  

A conjugação dos dois fatores – escola e desporto – talvez seja o maior problema a resolver em qualquer país. Antes de entrarmos propriamente na buscas de respostas, vejam o depoimento de um pai neste último fim de semana cujo filho é atleta juvenil de voleibol do Clube Nacional de Ginástica (CNG) em Portugal: “Esta semana foi complicada, pois para além do trabalho, meu filho (e eu também) percorremos quase 800 km para jogar no sábado (ida e volta). Ele está bem, porém a dificuldade é conjugar escola e desporto, pois durante a semana frequenta as aulas das 8h30min às 17:00h, o que complica bastante”.                

Ainda do Doutor José Curado: “O Desporto Escolar deve se submeter a uma definição de prioridades no que respeita aos seus conteúdos. Não há lugar para tantas modalidades. Assim, proponho um programa centrado sobre escolhas no mundo dos Desportos Coletivos (os jovens precisam exercitar o processo de tomada de decisão); na Natação as razões são óbvias, bem como aos elementos básicos do Atletismo (fundamentalmente as “escola de corrida e de salto”) e da Ginástica. Estas seriam, digamos, modalidades de interesse nacional, com apoio central. Admitem-se outras desde que a especificidade e apoios locais o justifiquem. Para que servem campeonatos nacionais em tudo e, até mesmo, participações internacionais? E que tal fazermos todos um esforço para recolocar os praticantes no centro das preocupações e adaptarmos as organizações às suas reais necessidades? Em vez de tanta discussão sobre organizações será muito mais inteligente discutir a carga de treino mais adequada para cada jovem praticante”.

Nota: Por meu (Roberto Pimentel) turno, acrescentaria o detalhe: a Qualidade no ensino ou o treino profundo.                  

Ídolos? A imprensa esportiva está sempre a exaltar os grandes ídolos do momento. No caso português, a bola da vez recai em dois expoentes internacionais do futebol – Cristiano Ronaldo e o professor e técnico José Mourinho. Este acaba de receber o troféu de Melhor do Mundo, mesmo não tendo participado do último mundial da modalidade. Julga-se por isto que o futebol, sendo o desporto número um do país, dificulta o desenvolvimento dos demais esportes. O segundo detalhe recai uma vez mais na formação de novos atletas. Buscam descobrir o código para formação de novos talentos? Para atrair crianças para qualquer desporto não são necessários ídolos, quase sempre de barro, mas de uma boa técnica de ensino ministrada por professores capazes e interessados no desenvolvimento global de seus aluno para a vida. E, antes de fazê-lo, pensem a respeito da formação de seus Professores, os principais agentes transformadores. Lembrem-se que as universidades têm as suas virtudes na difusão do conhecimento, mas pecam na maioria dos aspectos quando se trata da formação de seus alunos.                

De que adianta despejar milhares de euros nas escolas e clubes? O dinheiro não compra o saber fazer, o saber ensinar! E os cursos da Fivb apregoados para crianças, uma lástima! Muito embora a modalidade voleibol seja a segunda na preferência da população não se consegue fazê-la decolar em qualidade na maior parte do país e mesmo nos grandes centros. Como fazer? Como e quanto se deve investir em crianças? Quantas desejarão praticar o voleibol por longo tempo? O que fazer para despertar-lhes o interesse? Além do futebol, quem concorre na preferência de lazer das crianças?

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3 Comments on "Voleibol na Escola"

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8.12.2011 – Você completou vários pontos excelentes. Fiz pesquisas específicas sobre o assunto e encontrei muitas pessoas que frequentam seu blog.

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Se juntasse-mos o vôlei com o handebol o que iria sair? Quero minha resposta.

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Karoline, sabe que não havia pensado nisto? Vou colocar para os meus alunos essa ideia e ver o que pensam. Enquanto isto, tente colocar duas pequenas redes à frente das balizas com 1,5m de altura e a 3 m do goal: só vale arremessar por cima da rede ou por baixo. Depois que tentar com suas amigas, diga-me o que achou.

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