Maná em hebreu significa seiva de tamarisco. O livro bíblico de Êxodo o descreve como um alimento produzido milagrosamente, sendo fornecido por Deus ao povo israelita, liderado por Moisés, durante sua estada no deserto rumo à terra prometida. (Wikipédia)
Formação de Professoras e Professores
Usando a metáfora e aproveitando o novel termo utilizado na Internet - cloud -, pode-se dizer em bom português que o Procrie caiu das nuvens para dar uma ajudinha a tantos professores, especialmente às professoras. Percebam que no Brasil ainda é visível a atuação maciça de docentes do sexo masculino no setor do voleibol. Seria machismo, ou outro aspecto cultural remanescente? Ou por que as mulheres, após sua vida ativa no esporte – menor do que a dos homens – se recolhem às prendas domésticas? O fato é que são raríssimas as professoras que se dedicam ao ensino do voleibol, deixando de disputar com seus colegas alguns nichos de trabalho em que poderiam se destacar. Creio que também sua formação universitária em muito contribui para tal desinteresse, como já comentamos em época passada. Reparem que as moças universitárias que não vivenciaram o voleibol na infância - escola ou clube – inevitavelmente desprezarão as respectivas aulas, negligenciando seu estudo. Mais adiante, já professoras, que tipo de aulas fornecerão às suas alunas? E uma vez mais a história se repetirá, formando novo contingente de mulheres frustradas em relação ao voleibol. Por certo, mais uma vez estarão utilizando a “queimada”, que se perpetua até o séc. XXI graças principalmente a esse perfil de docente.
Contestar sempre as verdades estabelecidas é um princípio básico da pedagogia moderna. É um treinamento decisivo para quem deseja mais do que reproduzir, mas inventar. Ninguém inventa nada se for servil ao conhecimento passado. (autor desconhecido)
Formação do Professor. Por esses dias conheci um jovem professor que corajosamente assumiu uma franquia em curso de voleibol para diversos indivíduos, com ênfase para crianças. Além de pagar pela franquia, ainda incidem despesas outras, como aluguel de ginásio e equipamentos. Tomara que consiga suportar tal embate, e finalmente, possa criar o seu próprio negócio. Inclusive, ofereci-me a ele, isto é, dei-lhe a conhecer o Procrie e espero que entre tantos afazeres para manter seu “negócio”, descubra um tempinho aos domingos para uma leitura proveitosa entre os mais de 380 textos do blogue. O aspecto que mais me chamou a atenção em nossa conversa e que pretendo acentuar trata-se da sua formação. Quando indagado onde aprendeu (a ensinar) voleibol, disse-me: “Desde pequeno aprendi a jogar no colégio, atuei em clubes e tenho um passado na área”. Mais uma vez perguntei: E sobre a faculdade? Retrucou: “Fiz a faculdade e sempre se aprende alguma coisa; além disso, fiz um cursinho oferecido pela própria franquia”. Fiquei satisfeito com a sua espontaneidade e disponibilidade no diálogo e vi confirmada minha apreensão com a nova geração de professores, o que venho deblaterando há algum tempo com matérias sobre o ensino no País. Certamente já se acha auto-suficiente e por força de seus compromissos financeiros, visa não ao aprimoramento e uso de técnicas condizentes de ensino, mas tão somente àquilo que experimentou em sua história de vida, pois, como declarou, não lhe sobra tempo para “respirar”, que dizer ler ou estudar. E assim, a história se repete e mais uma geração de professores perdida. É interessante notar também que a ênfase sobre o seu aprendizado em voleibol refere-se à sua atuação como atleta, e não nos bancos universitários. Ou será que o tal cursinho do franqueador também produz milagres?
Ver para crer. Possivelmente pouco antes de 2000, formandos da Universidade Gama Filho convidaram-me para uma palestra de caráter curricular, inclusive com a presença de sua professora, e deixaram o tema à minha escolha. Decidi-me por discorrer sobre as oportunidades de trabalho, pois estavam entrando no mercado. Embora não muito adequado, e uma vez que tínhamos que dar um título, apelidamos de “Marketing no Voleibol”. Outra palestra sobre esse tema fizera na Universidade Estácio de Sá, agora para professores com “anos de estrada”. Numa e em outra, estabeleci parâmetros de ganho financeiro bastante compensador para aqueles que se dedicassem tão somente a ensinar crianças a jogar voleibol, acrescentando que as mesmas soluções poderiam ser empregadas em qualquer atividade desportiva. Como não posso me estender mais, resumo: a todos fiz ver que um só professor poderia – com a contribuição de dois ou três estagiários – produzir duas aulas semanais regulares para 240 alunos (8 – 13 anos), com gasto mínimo de material e equipamentos. Na época, acenava com uma receita bruta de pouco mais de R$ 14.000 mensais, verdadeiro maná. Infelizmente, dessa vez preguei no deserto e não tenho conhecimento de que alguém tenha se alimentado daquele mel.
Anos mais tarde, pesquisando e remoendo o fato, tirei uma conclusão que me parece sensata. Os alunos e professores para quem falei, nenhum deles esboçou interesse certamente por motivos diversos; mas existe um denominador comum a todos: NÃO sabiam trabalhar com a metodologia chamada Mini Voleibol. Se tivessem visto uma das minhas aulas nessa área, compreenderiam e veriam como é fácil e acalentador o método e como fideliza as crianças. E vejam que tentei tornar público com as dezenas de demonstrações no Rio e em Niterói, além de projetos em praias e até no Morro do Cantagalo, Rio, onde construí aula para 64 alunos simultaneamente, com idades variando de nove a 23 anos de idade.
Perdôem-me! Um treinador viu e gostou, isto em 1995, na Praia de Copacabana. Trata-se do Bernardinho, quando ainda técnico da seleção brasileira feminina. Encomendou-me material e subsídios pedagógicos e aplicou no Centro de Excelência Rexona, em Curitiba (PR). Atualmente é mentor de franquia no Estado do Rio de Janeiro.
Ao terminar este texto, peço ao leitor reler o pensamento de autor desconhecido (para mim) um pouco mais acima: “Contestar sempre as verdades…” Querem saber mais, comentem?
Visita da seleção brasileira feminina ao Centro de Referência na Praia de Copacabana, Rio. Os técnicos Roberto Pimentel, autor do projeto, Bené, Bernardinho e Tabach. O técnico da seleção solicitou material e subsídios pedagógicos para o Centro Rexona, Curitiba (PR), ao alto.
Fotos: Acervo Roberto Pimentel e Centro Rexona.





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