Construindo uma Escola Inovadora

 

 

 

Repensando Como Educar Indivíduos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Treinando Novos Professores

“A americana Katherine Merseth, 70 anos (foto), tornou-se proeminente na área da educação. Na Universidade de Harvard é diretora do Programa de Formação de Professores, e ganhou projeção por um feito raro: faz todo mundo querer dar aulas. A fórmula se baseia na atração de jovens recém-formados, das engenharias às ciências biológicas, que ali aprendem a ensinar crianças de escolas públicas, onde vão trabalhar depois. À frente de um dos cursos mais concorridos de Harvard, a prestigiada educadora diz que treinar gente talentosa para dar aulas é a fórmula para qualquer país trilhar o caminho do crescimento”.

Leia maisInovando em Criatividade, Construindo Lideranças

 

 

Identificando Melhores Métodos 

 

 

– Como Você iniciaria uma criança no esporte?

– E na matemática, português, música, xadrez?

– Ou a dirigir um veículo aos 12 anos?

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

Como são Construídas as Habilidades

 

 

Professor ou Treinador?

 

Entre nós brasileiros, há sutil diferença entre o que representa ser uma aula de Educação Física na escola e o que se entende por um treino em um clube que vise aprimoramento esportivo. Em suma, entre um professor e um treinador.

Muito embora estejamos evidenciando a atuação de um professor escolar, não há dúvida que treinadores em muito se beneficiarão das colocações pedagógicas expressas neste Procrie. Para consultas a destacados temas, recomendamos  breve busca em Contributo Para Ensino Esportivo em Escolas (+570 posts).

 

Treinamento Profundo

 

Teoria Mielínica

 

Trata-se de um conceito estranho. A ideia de que a habilidade – com sua graça, sua fluidez e sua aparente ausência de esforço – seja criada pelo acúmulo de circuitos pequenos e individualizados parece no mínimo um contrassenso. Mas a pesquisa científica tem mostrado ser esse o modo como as habilidades são construídas, não apenas para fins cognitivos como no caso do xadrez.

 

Ações Físicas

 

Também são constituídas de pedaços. Quando aprende uma série de exercícios de solo, um ginasta monta-a interligando pedaços ou blocos, que são eles próprios feitos de outros blocos. Ele agrupa vários movimentos musculares, do mesmo modo que agrupamos várias letras para formar a palavra “Evereste”.

A fluência é alcançada quando o ginasta repete os movimentos por tantas vezes que já sabe como processar esses blocos como um só grande bloco, da mesma maneira que processamos a frase apresentada antes. Ao disparar seus circuitos para executar um backflip (salto invertido), o ginasta não precisa pensar em impulsionar o corpo com as pernas, arquear as costas para trás, afundar a cabeça entre os ombros e levar o quadril a girar por cima dela, assim como não precisamos processar cada letra de uma palavra.

O atleta simplesmente dispara o circuito do backflip, construído e aprimorado pelo treinamento profundo. Essa falsa realidade faz artistas, atletas e jogadores excepcionais parecerem incompreensivelmente superior, como se tivessem transposto um imenso abismo com um único salto.

 

Ações Cognitivas

 

Entretanto, segundo evidenciou De Groot (1) está longe de ser tão diferente dos artistas, enxadristas, atletas e jogadores comuns quanto parecem.

O que separa esses dois níveis não é um superpoder inato, mas um ato de construção e organização lentamente cumulativo: a montagem de andaimes, parafuso por parafuso, circuito por circuito – ou, invólucro por invólucro.

 

 

 

Metáfora do Andaime

 

Quando e Quanto Ajudar

“Quando bem construídos, os andaimes ajudam a criança a aprender a ganhar alturas que elas seriam incapazes de escalar sozinhas”. Essa fórmula que parece simples, até banal, não é nada fácil colocar em prática. Às vezes repete-se uma instrução no mesmo nível quando deveria oferecer mais ajuda. Em outras ocasiões, oferece-se ajuda quando esta não é mais necessária.

Leia mais Pensar e Aprender (I)

 

 

Como Treinar? Como Estudar?

 

Treinamento Profundo

O treinamento profundo consiste em construir circuitos e isolá-los com mielina. Mas, na prática, o que sentimos quando isso acontece? Como sabemos se estamos fazendo isso? (Foto: jogo do labirinto)

O treinamento profundo é um treino reflexivo. O instinto para ir mais devagar e dividir as habilidades em seus componentes é universal. Dá-nos a sensação de explorarmos um quarto escuro e desconhecido. Começamos devagar, esbarramos na mobília, paramos, pensamos e começamos de novo.

Lentamente, e com certo incômodo, exploramos o espaço repetidas vezes, atentando aos erros, ampliando aos poucos a área do quarto a nosso alcance, desenhando um mapa mental do lugar até conseguirmos nos mover por lá rápida e intuitivamente.

 

 

Um Passo de Cada Vez

Dividir em Blocos

Enquanto crescíamos, ouvíamos de nossos pais e treinadores este velho conselho. Nas aulas devemos considerar as intervenções em três dimensões. Primeira, os participantes encaram a tarefa como um todo – como um grande bloco, o megacircuito.

Segunda, dividir esse bloco nos menores blocos componentes possíveis. Terceira, brincar com o tempo, retardando a ação, para depois acelerá-la, a fim de conhecer sua arquitetura interna.

Era como faria um cineasta ao filmar uma cena: num primeiro momento faz uma panorâmica da paisagem, em seguida dá um zoom para examinar em câmera lenta um inseto subindo por uma folha .

 

 

Como Cada Estratégia é Usada?

 

  Conceito de Técnica

 

Assimile Bem

 

Passe um tempo olhando ou escutando a habilidade desejada se manifestar na prática como uma entidade individual coerente.

A foto ao lado exemplifica bem o que realizamos em uma escola no Rio de Janeiro. Todos os alunos do fundamental assistiram a evolução das aulas nas duas arquibancadas do belo ginásio. Em seguida, também participaram de jogos improvisados com muita alegria e disposição. Foi um barato!

Pode soar um tanto zen, mas a técnica consiste fundamentalmente em assimilar uma imagem da habilidade sendo demonstrada, até sermos capazes de nos imaginar fazendo aquilo.

 

Somos Programados para Imitar

 

 

Olhe, Pense, Copie

Parece estranho, mas, quando nos imaginamos na mesma situação que um indivíduo fora de série e realizamos uma tarefa por ele realizada, isso tem um  grande efeito sobre nossa habilidade.

Além disso, a imitação não precisa ser consciente. Na verdade, na maioria das vezes não o é.

Que tal aprender a executar o serviço com o tenista suíço Roger Federer?

 

 

 

 

Educar é Contar Histórias 

 

 

Ensinar é uma Arte 

Compreendi isso na prática quando consegui dirigir um veículo (Ford 1937) pela primeira vez aos 14 anos de idade. Um amigo pouco mais velho do que eu trabalhou durante algum tempo no conserto do veículo. Enquanto o fazia, inúmeras vezes pude ajudá-lo como curioso em conhecer detalhes daquele fazer. Mais tarde, o veículo foi para a rua em seu primeiro teste de funcionamento, no que deu tudo a contento. A partir daí, dei início à construção de minha matriz mental, i.e., como deveria proceder para dirigir o veículo.

Centenas de vezes verifiquei se estava embreado – a alavanca de marcha deveria estar no “ponto morto”-, destravei o volante com a chave (do carro), ativei a pequena alavanca do sistema elétrico situada na coluna do volante, senti os pedais da embreagem e do freio com os pés, e só então acionei o botão de ignição. A partir do som do motor, pequenos movimentos táteis com o pé direito no acelerador acompanhado da pressão forte na embreagem, engatei a primeira marcha e, a partir daí, aquilatei a pressão conjugada entre os dois pés, representada pelo acelerador e a embreagem. Essa é considerada a situação mais crítica para um novato.

Resumindo, quando instado a realizar tal façanha inesperadamente, fui tomado de forte ímpeto que sobrepujou qualquer possibilidade de receio por não saber fazê-lo. Senti-me à altura da façanha e, sem titubeios, realizei tudo conforme produzira em minha mente. Não foi preciso pensar como fazer. A rota neural já estava traçada.

 

 

Treinamento Solitário

 

 

Construindo a Própria História

Seleção no Caio Martins, Niterói (RJ)

Em jan./1961, logo após o Mundial de voleibol no Brasil, dei início ao meu projeto de estar entre os melhores atletas. Treinos solitários no clube IPC, três vezes semanais, duas horas ininterruptas com uma única bola (G-18) que me fora ofertada. Convidado, participara dos treinos de fundamentos da seleção, mas tive que rever alguns conceitos por considerar os exercícios pouco producentes e porque estaria exercitando-me sozinho.

As experiências proporcionaram-me conhecer como conseguir em tão pouco tempo resultados espantosos, a ponto de ser considerado um dos melhores no Brasil. Lembrando que era movido não somente para obter uma boa técnica, mas a melhor delas, isto é, atuar bem, sem erros. A lição que trago é “se consegui, qualquer outro poderá fazê-lo”. Trata-se de como exercitar-se.

Esses artigos poderão dar uma boa contribuição para o sentido de vida, incluída a construção de objetivos e a perseverança para realizá-los.

 

Aprendendo a Pensar

 

 Autorregulação, Empatia, Resiliência

Meu antigo professor – Rubem Passos -, um homem simples, foi quem me ministrou aulas de português e matemática durante nove meses. Afirmava ele que “para saber matemática, há que conhecer bem a língua pátria”. Certamente, ler e interpretar, que agora entendo como a construção de matrizes mentais, que ao longo do tempo somam-se ao desenvolvimento de qualquer indivíduo.

 

 

Uma Boa Receita

 

Trabalho em Grupo

Assim, enquanto em todas as semanas de curso cumpríamos tarefas de redações, principalmente interpretando ditos populares, paralelamente executávamos incontáveis exercícios de matemática, escalonados em grau de dificuldades crescentes. Acrescentem-se ainda os trabalhos nos fins de semana em grupos de estudo, liderados por um aluno um pouco mais apto. No ano seguinte fui convidado e declinei de ser tutor de matemática da primeira turma feminina recém-iniciada no Curso.

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[1] De Groot publicou seu estudo em 1946, sem nenhuma repercussão. Seu trabalho foi redescoberto vinte anos depois pelo mentor de Anders Ericsson e ganhador do Nobel Herbert Simon, que reconheceu De Groot como pioneiro da psicologia cognitiva e ajudou a publicar o estudo intitulado Thought and Choice in Chess (Pensamento e Escolha no Xadrez).

 

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