O Futuro da Escola no Brasil

 

A Ignorância que nos Assola

 

Deverá a Educação Física dos escolares continuar dominada ao peso de resquícios de falsos preconceitos que a subalternizem?

A ginástica não é uma questão de circo nem de barraca de feira, é uma alta e grave questão de educação nacional. (Ramalho Ortigão, 1836-1915)

 

 

A Escola do Futuro Já Existe

Entrevista à Monica Weinberg concedida pela educadora finlandesa Marjo Kyllönen (58 anos), publicada na revista Veja, em 7/jun./2017.


A velha sala de aula

A educadora finlandesa Marjo Kyllönen (58 anos), secretária de Educação em Helsinque em recente visita ao Brasil afirma:

“Não faz mais sentido manter um ensino enciclopédico e aprisionado em disciplinas”.

“Os finlandeses deram um passo arriscado, mas até agora bem-sucedido, ao implantar um modelo de colégio em que a tradicional divisão de matérias cede lugar ao estudo de fenômenos, muito embora as disciplinas continuem a ser muito bem ensinadas”.

A cidade que ensina

“Esqueça o colégio entre quatro muros. A nova concepção de ensino prevê que a criança disponha de fontes de aprendizado permanente – e não se trata só de tablets e computadores. As cidades devem se preparar para oferecer conhecimento à população: as crianças apontarão seus celulares em direção às plaquetas de monumentos e raças e aprendem sua história: ou em museus, com obras de arte. O urbanismo de hoje tem como um dos objetivos erguer cidades cada vez mais inteligentes, interativas e abastecedoras de informação. A escola pode ser o parque, a biblioteca, a rua”.

 

 

Revolucionando a Escola

 

Relações entre as disciplinas

“O ensino na Finlândia já não é mais organizado por disciplinas que não conversam entre si, mas sim pela análise de fenômenos que demandam as várias áreas do conhecimento para serem compreendidos. Os conteúdos continuam lá como reza o currículo, só que são transmitidos à medida que se mostram necessários para decifrar os problemas. Essa é uma forma de trazer os conceitos para o mundo em que o aluno vive- e mais: assim ele entende a relação entre as diversas ciências. Funciona exatamente desse jeito em boas universidades; biólogos, neurocientistas, linguistas, matemáticos e sociólogos sentam-se à mesa para resolver juntos um quebra-cabeça. Para a escola, é uma revolução.”

O novo professor

“Mestres que se veem na zona de conforto, senhores de suas áreas, agora precisam trabalhar o tempo todo em conjunto. Cada um dos professores mostra à turma como certo fenômeno pode ser entendido sob a ótica de sua matéria. Mas eles estão debruçados sobre um mesmo problema, então precisam se falar e se organizar. Trata-se de uma reviravolta completa, que foi sendo promovida aos poucos. É claro que houve resistência, mas aí veio a descoberta: se você dá treinamento, material e incentivo à mudança, ela ocorre. A escola que adere ao novo modelo e traz resultados, p.ex., ganha bônus para seus professores. Eles merecem. Estamos falando de um tipo de escola em que ensinar é muito mais complicado”.

A onda que não pegou

Muito dinheiro já foi desperdiçado em escolas do mundo inteiro movidas pelo afã de se equipar com o que há de mais avançado em tecnologia. Isso, por si só, não contribui, e até atrapalha, porque tira a atenção do que é essencial: a aula de um bom professor. Não dá para se deslumbrar com laptops e tablets e achar que, sozinhos, eles trarão a modernidade à educação”.

Tecnologia e diversão 

“A tecnologia já se provou um divisor de águas para a excelência.

Primeiro está no estímulo que ela dá ao trabalho colaborativo. Permite que os alunos aprendam e produzam em rede, habilidade que certamente será requerida mais tarde. O outro empurrão vem da personalização do ensino. Programas inteligentes ajudam a guiar a criança pelo conhecimento no seu tempo e de forma divertida. Pode parecer ingênuo, mas diversão deve, sim, entrar no vocabulário da educação deste século”.

 

 

E no Brasil?

“Sabemos que o Brasil ainda se situa entre os piores do mundo nos rankings da educação, mas isso não pode servir de álibi para a inação. Em toda parte encontra-se uma turma de excelentes professores, capazes de passar sua experiência para os demais, explicar o objetivo das mudanças e transmitir o passo a passo. Não é preciso, de saída, contar com um exército de ótimos professores, mas com um grupo disposto a ajudar e cooptar os colegas. É nesses obcecados em fazer a coisa certa que o país deve mirar para percorrer a trilha da modernidade.” (Marjo Kyllönen)

 

O que se espera de cada um?

 

 

Fazendo eco aos reclames do professorado

Os leitores que nos acompanham nessa verdadeira cruzada no sentido de levar aos gestores educacionais e, principalmente, aos novos professores, uma proposta de Educação aplicável ao século XXI certamente se darão conta que não estamos pregando em um deserto de ideias inovadoras.

Encontramos uma solução REVOLUCIONÁRIA que vimos  expondo neste Procrie. Está presente na disciplina Educação Física e Esporte  escolar a partir do ensino fundamental (II). Pronunciam-se muita resistência em instituições voltadas para a Educação – fundações e colégios – e para o Esporte – COB, CBV -,  já experimentadas na prática nas muitas tentativas de entrevistas com coordenadores pedagógicos e dirigentes.

Tamanha mudança em qualquer país deve ser precedida de um convencimento dos professores que se veem  na zona de conforto, senhores em suas áreas, e agora precisam trabalhar em conjunto com seus colegas de outras disciplinas. Trata-se de uma reviravolta completa a ser promovida aos poucos, com parcimônia e uma visão de futuro com objetivos previamente delineados.

 

 Envolvimento da Escola

Multidisciplinaridade

 

 

 

Sua voz será ouvida, não importa onde esteja! 

Em nosso planejamento estabelecemos em primeira instância realizar uma prototipagem de aulas inovadoras e criativas, configurando a seguir  a formação de um Núcleo, o próprio Centro de Referência. Seria um fiat lux tão perseguido e desejado, irradiando, pesquisas e compartilhando experiências. A tarefa seguinte estaria facilitada tendo em vista a produção de videoaulas, e-books e um sítio específico para EaD. Você e seus colegas tornam-se participantes ativos.

Para tanto, oferecer informações, dar treinamento, material e objetivos à mudança. Os próprios educandários poderão oferecer bônus aos seus mestres tendo em vista premiações atraentes às escolas – “Educador Nota 10” -,  que venham a se destacar em novas ideias e conquistas relevantes no ensino.

 

 

Por Onde Começar?

Sugere-se pela disciplina educação física e esporte

Momentos inesquecíveis de nossa peregrinação

 

É sabido por muitas gerações que essa cadeira disciplinar é a mais relegada pela sociedade e, por conseguinte, por seus gestores. A formação profissional de um docente é carente de informações e práticas específicas que o conduzam a ser um bom profissional. Tanto pelas faculdades de Educação Física, quanto pelas de Pedagogia.

Nesse estado de coisas identificam-se as falências de um bom ensino: professores mal preparados, sem experiência, a gerir aulas repetitivas para crianças e adolescentes. Ignoram, ou talvez vejam algum ganho com as escolinhas de uma ou outra modalidade para os que podem arcar com as mensalidades. Ou ainda, rotuladas como oferta de atividade para preencher o vazio de horas na frente da TV ou smartphone. Acrescente-se que os docentes situam-se inexplicavelmente fora da área de supervisão da coordenação pedagógica da maioria das escolas, i.e., ministram aulas de forma autônoma, sem qualquer planejamento, o que torna impossível qualquer avaliação. Tudo isso com o aval da direção escolar. E cabe a pergunta: “a quem competiria avaliar o professor de educação física?

Vinculamos no Procrie alguns artigos que identificam esse estado de coisas, em que manifestamos nossa preocupação e demos os primeiros passos em 2010 para uma Formação Profissional Continuada de professores nas áreas da Psicologia Pedagógica e Metodologia.

Visite: Contributo Para Ensino Esportivo em Escolas

Felizmente, o que poderia ser prejudicial para uma renovação, torna-se propício, pois a Educação Física esportiva nas escolas brasileiras NÃO existe. Logo, basta dar o primeiro passo para entrarmos no século XXI com propostas já testadas, e aprovadas.

Treinadores esportivos

Em relação ao ensino esportivo fora dos limites das escolas, o assunto é mais calamitoso, haja vista o aproveitamento de leigos, ex-atletas, muitos deles sem o indispensável preparo pedagógico deixam-se levar pelos próprios interesses para se promoverem a atuar como educadores (em especial, no futebol).

A escola tradicional

Lembremo-nos do professor português José Pacheco, já citado neste Procrie:

Temos escolas do séc. XIX, professores do séc. XX, e alunos no séc. XXI.

Outra concepção ainda vigente é que preparamos os jovens para os vestibulares, como se a obtenção de um diploma universitário fosse a suprema realização para um futuro profissional. Até porque muitos jovens estão abandonando os bancos universitários em busca de novas fontes de conhecimento, especialmente na área das TICs.

Não faz mais sentido manter a escola nos moldes do séc. XIX voltada para uma ultrapassada lógica industrial em que cada pessoa deva se qualificar para uma função específica e um mercado de trabalho previsível. A sala de aula tradicional se presta até hoje ao acúmulo de conteúdo e à repetição, com disciplinas estanques espremidas em uma grade rígida, não combina mais com um mundo tão multidisciplinar, em que os desafios técnicos e intelectuais ganham complexidade e mudam a cada instante. Haja vista a recente importância de profissionais de Design thinking, especialmente nos EUA.

 

 

A Escola que Ensina

O que verdadeiramente importa é ensinar. A separar o supérfluo do não confiável, do que tem valor, e desenvolver a capacidade de refletir, juntar as peças e inovar a partir dali.

 

 

Venham para a “nossa praia”!

 

Praia de Icaraí, Niterói-RJ. Aulas regulares (3 anos, grátis) para até 400 crianças

 

 

Quais Seriam os Primeiros Passos?

 

Recapitulando, nossa proposta de ensino volta-se para uma NOVA ESCOLA a partir da cadeira de Educação Física e Esporte, que catalisará um processo de multidisciplinaridade. E mais ainda, com olhar voltado para a comunidade. Considerem as palavras da educadora Marjo Kyllönen antes de se decidirem:

 

Identifiquem bons professores/tutores e suas experiências.
Concebam objetivos e o passo a passo das mudanças.
Compartilhem com professores dispostos a cooptar colegas.

 

 

Façam a Diferença 

 

E nós outros acrescentaríamos com uma ponta de orgulho e esperança:

 

Sejam desbravadores obstinados em fazer a coisa certa! 

Tornem-se os Melhores Professores do Mundo!

 

 Detalhe: desse grupo faziam parte 20 alunos da APAE, 5 deles à direita, em pé.

 

Seus alunos serão eternamente gratos!

 

 

 

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2 Comments on "O Futuro da Escola no Brasil"

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Josebel Palmeirim | junho 15th, 2017 at 9:21

Onde estão nas suas páginas referentes a Arbitragem o nome de Josebel Palmeirim.

Qual é o livro que você escreveu e citou um FATO de um jogo entre Fluminense x CIB na AABB. Onde eu expulsei o 2º árbitro, até aí tudo correto. Porém, depois você diz que a Federação invalidou este jogo. Um GRANDE EQUÍVOCO de sua parte. O jogo teve sua continuidade somente comigo de 1º árbitro e de comum acordo com os capitães e TEVE SEU RESULTADO DE 3X1 PARA O FLUMINENSE VALIDADO SIM SENHOR PELA FEDERAÇÃO DE VOLEIBOL DO RIO DE JANEIRO. POSSUO PROVAS DE QUE ESTE JOGO FOI VÁLIDO.

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Prezado Josebel, tenho certeza que o seu informante não está bem no seu papel. Além disso, proponho que você leia o que está escrito na História do Voleibol no Brasil (2 vol., 1.047 pag.). Você não verá nada igual no Brasil,pois trata-se de um livro enciclopédico, memorialista, e obra de referência. Há várias citações ao seu nome no volumeI, pág. 28, 76,77,80, 84,86,98, 101, 398. Tenho certeza de que deveriam ser mais citações pelo sua representatividade e valor reconhecidos por todos. Neste Procrie, está contemplado nos posts: Evolução e História do Voleibol, Evolução do Jogo e das Arbitragens, Arbitragem no Rio, 1987-88. Arbitragem em 1984, e Quando é Possível Recuar no Tempo… 1948! (em uma delas com direito a foto). Quanto ao fato de que se queixa (sem ter lido), apresso-me em consignar: pág. 98: “13. 7 de dezembro de 1980, ginásio da AABB, jogo tumultuado entre CIB e Flamengo (1ª Divisão masculina), vencido pelo Fla por 3×0 (15×12, 15×10, 15×3). O juiz Josebel Palmeirim decidiu dispensar o 2º árbitro Felismino Menezes, por considerá-lo inexperiente e incompetente para dirigir a partida, quando esta já havia sido iniciada (estava no segundo set). Apesar de ter o consentimento das duas equipes, Josebel não permitiu que o juiz Nereu Marques, que presenciava à partida, o auxiliasse, contrariando regulamento da Federação: “Na ausência de um dos juízes, terá que ser escolhido um oficial da federação que esteja no ginásio após comum acordo entre os dois times”. Pelo que se queixa, eu teria errado em citar CIB x Flamengo. Quanto ao resto, o seu informante é quem deverá dar as explicações. Teria ele se equivocado? Quanto às provas, convide-me para uns chopinhos para relembrarmos velhos tempos de papo nas barcas em nosso retorno a Niterói. Estive a procurá-lo para ofertar-lhe um exemplar do livro. Se interessado, envie-me seu endereço completo. Estarei pagando uma dívida quando me ofereceu a Regra de Voleibol autografada por você e o Jorginho. E aconselho-o a não dar ouvidos a qualquer um!
Esteja na Paz do Senhor!